O VOO SUSTENTÁVEL DA MONTANHA E DO CAGARRO
BEM-VINDO AOS AÇORES. ESTE DESTINO É UMA CASA.
A visita a um Ecossistema é muito mais do que passear numa reserva natural, antes a partilha de espaço com uma comunidade real, dinâmica, onde há muitos anos se estabeleceram pessoas, que coabitam o Terreiro da Vida.
A Vitalidade e Tenacidade da Comunidade Açoriana, sejam ilhéus ou na diáspora, mais do que qualquer apologia de bairrismo insular, emergem da necessidade de manter fortes laços entre si, em respeito pelas regras da Natureza e preservando uma Identidade insular que pode bem ser representada pela ave – o Cagarro.
Porém, enfrentamos desafios de deterioração desses ecossistemas, muito para além da vertente ambiental, causados pela excessiva visitação dos mesmos.
Não existe tal coisa como Turismo Sustentável.
O Turismo sempre foi e sempre será uma atividade extrativa, que concorre pelo usufruto de recursos básicos e pelos melhores espaços de cada terra…
Sim, mas o Turista traz riqueza! Mas qual será a sua distribuição? Gerou aumento da qualidade de vida que havia antes?
Será que existem outras riquezas não monetárias ou diretamente transacionáveis que devam ser contabilizadas economicamente?
Se um bem ou serviço transacionável faz aumentar o cálculo do PIB da Região, mas ao mesmo tempo levanta restrições no acesso a bens de primeira necessidade, seja o espaço público de usufruto, a água, os recursos piscícolas, o lugar num avião ou o simples direito ao repouso e descanso, entramos num conflito de interesses que gera uma perda económica muito considerável para os residentes, a partir do momento em que estas necessidades deixam de ser asseguradas.
A apologia de crescimento contínuo (em dormidas, desembarques, etc) não respeita as mais elementares regras da natureza, porque não permite a pausa ou a recuperação, que desde sempre orientaram as práticas antropológicas, nomeadamente na agricultura, onde apenas o descanso dos solos e da Terra permitia continuar a obter colheitas.
O dano que a excessiva Promoção Turística está a causar aos Açorianos ultrapassa em muito o incómodo que alguns sentem ao ler estas palavras…
Quais serão os limites de um Bem Comum (que não se mede em euros mas em qualidade de vida) quando a experiência de excessiva visitação inquieta os que residem e os que visitam?
O Cagarro é extremamente fiel ao seu local de nidificação e regressa anualmente à colónia de onde emergiu, repetindo não apenas o local de acasalamento como o parceiro, do qual resulta um único ovo. Durante pelo menos 6 meses – o equivalente a muitos anos na vida de um ser humano – o cagarro é alimentado por ambos os progenitores. Come e bebe, aprende a ouvir e a cantar na filarmónica das aves, a esperar pelo bom tempo para voar e a desviar-se dos ratos escondidos nos buracos por onde saíram vulcões.
O Vôo Sustentável da Montanha e do Cagarro é uma marca registada para a promoção da divulgação de informação ambiental, ecológica e social, que pretende sensibilizar residentes e visitantes dos Açores para a importância de melhor conhecer os limites da exploração comercial dos ecossistemas e de refletir sobre os paradoxos da Sustentabilidade.
Um Lar para muitas espécies de animais e plantas,
desde o Calonectris borealis até ao omnipresente Ser Humano.
Vem conhecer o que é a Sustentabilidade.
“O Voo Sustentável da Montanha e do Cagarro” é o nome de um Projeto de divulgação de informação ambiental, ecológica e social, que pretende contribuir para a reflexão crítica sobre o tema da sustentabilidade, por oposição à sua utilização sistemática como garantia de boas práticas de exploração comercial. Numa altura de emergência climática, importa mais do que nunca garantir que as métricas ESG de proteção e equilíbrio sustentável (vulgo Environmental Social e Governance) estejam devidamente robustas e debatidas para que se possa verdadeiramente garantir a continuidade, durabilidade e compromisso com o futuro das populações e do Planeta.
Nos Açores, faz como o Cagarro
REFLEXÕES
Calonectris borealis, vulgo cagarro para os insulares, descreve de asas abertas uma trajetória de vida semelhante ao percurso de muitos açorianos, elegendo de olhos fechados um local remoto temperado a sal para viver ou dar a cheirar às suas crias ao longo de vários ciclos de nascimento, enraizamento e preparação de epopeia migratória. Um ano depois regressa a casa, ao mesmo local, com os mesmos amigos ou pareceiro/a, fiel ao chão de lava que um dia o viu nascer, preparado para a renovação do ciclo da Vida.
A Ilha do Pico não nasceu agora, já nasceu há muitos anos! E já muitos passos foram dados por cima desta terra.
A definição de Sustentabilidade implica sobretudo Manter e Preservar, desde o acesso a espaços públicos de usufruto lúdico (que são de dimensão relativa e não tão abundantes face à área total de cada ilha) limitados pela exposição ao mar ou pela orografia exigente, passando pelos recursos hídricos, recursos piscícolas alimentares (que servem de bandeira para a captação turística, mas falseando a questão da sua biodisponibilidade e propriedade) e terminando na livre movimentação dos Açorianos, porque têm de competir a preços altos por um lugar no avião para ir a casa ou apenas visitar os seus familiares.
Enquanto se assiste a um quase confinamento da população local e perda de acesso aos elementos acima identificados, urge divulgar junto à Sociedade Civil, e também junto ao consumidor/visitante (que todos nós já fomos e por vezes seremos) que não é o aumento da infraestrutura e das acessibilidades de uma região de alto património natural que resolverá o problema, correndo o risco de perda de identidade e de deterioração e empobrecimento irreversível de uma das últimas regiões do Mundo a ser assaltada por intensidades turísticas descontroladas.
A constituição de um museu, parque natural, reserva da biosfera (os dois últimos gerados sem intervenção ou mérito humano) ou qualquer atração objeto de visitação gera um fluxo ou gradiente de passagem aumentado, conforme é esperado e desejável…
É fundamental o desenho e planeamento dos canais de circulação e respectiva capacidade de carga, em áreas de intensa beleza e riqueza natural…
De quanto tempo precisa um cagarro para aprender a voar?
É preciso estar, permanecer, repetir, esperar, pertencer a um lugar…
Quantas viagens de carro de bois demora a trilhar uma pedra?
Ainda na infância e juventude descobre os primeiros voos de forma tenaz e persistente, enquanto lhe chamam descendência… até que aprende a voar sozinho, ao lado dos amigos, vizinhos, familiares de garganta seca por cada despedida… junto à costa, aventurando-se sobre tanto mar… até outra ilha, continente, diáspora ou “no terreiro da vida, onde o jantar serve de ceia.”
É que, ao fim-desse-dia, suados e calejados, ainda lhes deram de comer um braçado de incensos biológicos porque não tinham de outros. Incensos muito orgânicos e muito naturais. Para eles, então era só um pedaço de bolo e queijo, com um gole de vinho sem rótulo. Fizeste bem em tirar o rótulo José, eu também tirei o rótulo do meu, se não não agarrava nenhum.
Quantos anos demora um automóvel a neutralizar as emissões geradas na sua produção?
O Estudo Research on Environmental Sustainability and Energy Efficiency of Electric Vehicles, apresentado pela FIA (Federação Internacional Automóvel) em Setembro de 2024, mostra-nos dados que permitem, no mínimo, questionar a